Coluna exclusiva do Jornal Correio9 – Rotação (28/03/2018)

Por Elias de Lemos – eliasdelemos@correio9.com.br


Os partidos novos que já nasceram velhos

Desde que a “Operação Lava Jato” foi iniciada, em 17 de março de 2014, derretendo imagens de políticos e definhando partidos, velhas agremiações têm recorrido à velha receita para sobreviver. Na tentativa de esconder a história e disfarçar o passado corrupto, muitos partidos têm mudado de nome.

Com o apodrecimento do sistema partidário, a palavra “partido” se tornou sinônimo de picaretagem. Sem exceção, todos os partidos foram jogados no mesmo caldeirão.

Diante da incapacidade de explicar o rolo de cada um, as lideranças das agremiações vêm recorrendo a marqueteiros para criarem novos nomes para velhas ideias e práticas. Assim, muitos partidos, que parecem novos, não passam de novas marcas para produtos vencidos.

O PTN foi transformado em Podemos, o PSDC em DC, o PT do B em Avante, o PSL em Livres e o PEN em Patriotas. O PMDB também retornou ao passado ao suprimir o “P” de “Partido”. Mas, as ideias (?), o atraso e a sujeira do partido, continuam as mesmas.
MDB, Patriotas, Mude, Podemos, Livres, Progressistas. Apesar dos novos nomes, nenhum deles é um partido novo de fato.

São todos velhos, com uma nova maquiagem para tentar esconder o lamaçal em que mergulharam e tentar enganar o povo. Nenhum deles trouxe uma proposta ou um conceito novo para a política.

E pior ainda, todos mantêm em seus quadros, as velhas raposas da política, as mesmas figuras decrépitas que transformaram os partidos em organizações criminosas.

A mudança dos nomes pode ajudar a enganar. Mas, mais do que isso, mostra que não existe disposição para a mudança da maneira de se fazer política no Brasil. Os partidos estão buscando uma maneira de se desligarem da palavra “partido”, porém, com a mesma experiência em enganação e os mesmos vícios em corrupção.

Segundo o presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), a mudança de nome é necessária para modernizar o partido. Segundo ele, é um “resgate da memória”. Jucá é aquele da gravação em que diz: “É preciso construir um acordo nacional para estancar a sangria, envolvendo o Supremo, tudo”.

Sangue novo ou ideias novas na política: nada disso. São os mesmos e quanto mais experientes em corrupção, mais difícil será de surgir algo novo.

“Guarde os rojões para a minha posse”. (Luís Inácio Lula da Silva)


Pagando a conta

O mandato da senadora Rose de Freitas vai até 2022. No entanto, ela vem trabalhando para viabilizar a sua candidatura ao governo do Estado do Espírito Santo. Se concorrer, e vencer, Rose se afasta do Senado, abrindo a vaga para o seu primeiro suplente, Luiz Pastore.

Ele é um megaempresário paulista, que nunca morou no Espírito Santo, sabe pouca coisa sobre o Estado e não tem nenhuma atuação na área social.

É famoso nas noitadas paulistanas e chegou a pagar U$ 50 mil para dar um beijo na modelo inglesa Kate Moss.

Pastore colocou mais de R$ 1,2 milhão na campanha da senadora em 2014.

Mutações

Em um 26 de setembro, no distante ano de 1960 os candidatos – à presidência dos Estados Unidos – John Kennedy e Richard Nixon, protagonizaram o primeiro debate transmitido pela TV. Esse debate provou a força da TV nas eleições em detrimento da do rádio. Quem ouviu, pelo rádio, concordou com Nixon, quem viu, na TV, ficou com JFK.

Jovem e quase desconhecido, quando o senador John F. Kennedy chegou aos estúdios da CBS tinha pouco a seu favor frente a um experiente vice-presidente Nixon. Mas quando saiu, após quase uma hora de embates, JFK era uma estrela.

Nixon, habituado aos debates nas rádios, estava suado, amarrotado e visivelmente abatido. Kennedy, ao contrário, estava bronzeado, exibindo boa forma e com figurino impecável. Nixon não imaginava que, naquele momento, mais de 88% da população dos EUA possuía televisão em suas residências.

Mais de meio século depois, a TV continua protagonizando as eleições. Com, requintada, maquiagem eleitoral vem elegendo políticos que, não raro, em seguida, são rechaçados por seus eleitores. A corrupção moral da televisão continua, e ainda, não foi encontrado o remédio que possa extirpar este mal que solapa a democracia.

Mas neste ano de 2018 as redes sociais terão um papel preponderante no processo eleitoral. E aí, o problema será distinguir entre o que é verdade e o que é mentira.

Entre aspas

Em entrevista à revista Isto É, o presidente Michel Temer declarou: “É natural que quem preside a Nação dispute a eleição. Eu até ouvi recentemente alguém me dizer que não disputar a reeleição seria uma covardia. Que eu teria me acovardado. Governar por dois anos e meio e não disputar a reeleição. O que seria um fato ímpar no País. Desde que foi criada a reeleição, todos disputaram”.

Ao final do primeiro mandato em 1998, Fernando Henrique Cardoso tinha 43% de aprovação. Em 2006, quando se candidatou ao segundo mandato, Lula era aprovado por 83% da população, enquanto Dilma foi para a reeleição, em 2014, com 79% de aceitação. O Temer-candidato tem 3% de aprovação.

“SERIA uma covardia eu não me candidatar”, disse o confiante Michel Temer.

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