União Europeia planeja bloquear carne de frango do Brasil por motivo comercial, diz ministro

Após voltar de viagem para negociar com autoridades europeias, Blairo Maggi diz que UE deverá anunciar nesta quarta-feira medidas contra o frango brasileiro.

Por Reuters


União Europeia está planejando bloquear as exportações de nove unidades exportadoras de carne de frango da BRF para o bloco comercial e pode também revogar as credenciais de outras plantas brasileiras, disse nesta terça-feira (17) o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, citando motivos comerciais para o eventual movimento europeu.

BLAIRO Maggi (Foto: Divulgação/Mapa).

Ele disse esperar que a UE publique uma lista final de plantas brasileiras proibidas na quarta-feira (18), incluindo as unidades da BRF, maior exportadora global de carne de frango, e potencialmente aquelas pertencentes a outras empresas, após uma votação planejada pela Comissão Europeia sobre o assunto.

Em março, o governo suspendeu provisoriamente a exportação de 10 fábricas da BRF de frango para a Europa. A decisão foi tomado depois de a BRF ter sido alvo de uma nova fase da operação Carne Fraca da Polícia Federal. A União Europeia avaliava se há necessidade de novas medidas contra o frango brasileiro.

Segundo Maggi, a UE está usando preocupações sanitárias que não têm base técnica para justificar as proibições de exportações de frango salgado do Brasil. Seus comentários foram feitos em entrevista coletiva a jornalista após seu retorno de uma missão comercial a Bruxelas na semana passada, com o objetivo de convencer a Europa a não proibir produtos avícolas brasileiros.

Ele disse que a UE não cumpre as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao impor tais barreiras aos produtos de frango brasileiros.

Carne Fraca

A polêmica sobre as exportações de frango surgiu depois que a polícia federal brasileira implicou a BRF em uma nova fase da operação Carne Fraca, alegando que a companhia buscava burlar os padrões de segurança alimentar.

Maggi afirmou que não há evidências, no entanto, de problemas com as condições sanitárias do frango brasileiro.

“Isso não é sanitário, isso é comercial”, disse Maggi, referindo-se às proibições de importação planejadas.

Maggi disse em uma apresentação que, sob os atuais acordos comerciais, o Brasil seria capaz de exportar 170.807 toneladas de frango salgado para a UE, pagando uma tarifa de 15,4%.

O Brasil vendeu US$ 317 milhões em frango salgado in natura para a UE no ano passado e US$ 118 milhões em frango in natura sem sal, para o qual a cota permitida é de 21.600 toneladas sem tarifas, segundo uma apresentação do ministro.

Maior exportadora de frango do Brasil, a BRF registra a maior queda na Bolsa de Valores de São Paulo nesta terça-feira, com queda de 2,47% por volta de 13h45. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,06%.

A BRF se recusou a comentar.

SOURCEG1
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