Bruno Gaburro (Correio9)


Uma pesquisa realizada por estudantes do curso de Licenciatura em Geografia, do Ifes de Nova Venécia, mostra que, o município mesmo em tempos de crise hídrica, é um dos maiores consumidores de água tratada, se, comparado a municípios vizinhos e, até mesmo, a outras regiões do Brasil.

Para conseguir os números referentes ao volume de água tratada consumida em Nova Venécia, os alunos dirigiram-se à Cesan, companhia responsável pelo tratamento da água no município. Na empresa, foi informado aos discentes que para a retirada dos dados diretamente na firma é necessária muita papelada, mas que os dados poderiam ser colhidos no site do Ministério das Cidades, através do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS). Nesse sistema, os dados são atualizados a cada ano pelas companhias responsáveis pelo tratamento da água, em cada cidade do Brasil, e atualmente apresentam informações a partir de 1996 até 2015. As informações estão disponibilizadas por ano e distribuídas em diversos parâmetros. Nesta pesquisa, os parâmetros pesquisados foram: população total atendida com abastecimento de água e o volume de água consumido.

Com os valores – população total atendida com abastecimento de água e volume consumido anualmente –, para a cidade de Nova Venécia, foi calculado o consumo médio

TABELA com média entre total atendida com abastecimento de água e volume consumido anualmente.

per capita (por pessoa) em litros por dia:

Os valores vistos na tabela acima mostram que o consumo na cidade está bem acima daquele estabelecido como ideal pela Organização das Nações Unidas, ONU, significando que há potencialidade para a redução do consumo sem afetar as necessidades humanas.


Valor de consumo definido como ideal pela ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que a quantidade ideal de água para satisfazer às necessidades de uma pessoa gira em torno de 110 litros por dia. Entretanto, esse valor tende a ser relativo, pois dependendo da disponibilidade de água, as pessoas ajustam seus hábitos, o que faz com que esse valor se ajuste às particularidades de qualquer local.

Em regiões desérticas, o valor estará muito abaixo da média calculada pela ONU e ainda sim, será considerado pelos habitantes como ideal, pois os costumes se adequam às necessidades. Por outro lado, em regiões como a Amazônica, a maior oferta pode estimular as pessoas a adotarem hábitos que consumam mais água, ultrapassando o número determinado como suficiente.


GRÁFICO DE TENDÊNCIA

GRÁFICO do consumo médio per capita de Nova Venécia.

Ao visualizar o gráfico de tendência formulado através dos dados obtidos no SNIS, é perceptível como o consumo de água em litros, por habitante, por dia vem aumentando consideravelmente desde o ano de 2006. Numericamente falando, houve um aumento de 16,86%, o que significou um volume de captação de 391,51 mil m³ a mais de água no ano de 2014 no Rio Cricaré. Mesmo com a diminuição perceptível em 2015, a linha de tendência se mantém em crescimento.

Fica explícito no gráfico como houve um aumento no consumo médio per capita justamente no maior momento de crise hídrica dos últimos 40 anos. Desde 2011, o volume de água tratada consumida vem aumentando significativamente, mas em meados de 2013, cresceu ainda mais. Só há uma baixa significativa no início do ano de 2015, quando há o racionamento no abastecimento de água por conta do nível crítico em que o Rio Cricaré se encontrava.

A partir do estudo do gráfico feito em Nova Venécia, foi possível aos alunos comparar o consumo de Nova Venécia com outras localidades.

Primeiro foi feita a comparação com as cidades vizinhas, Boa Esperança, São Gabriel da Palha, São Mateus e Vila Pavão. Através do gráfico é possível perceber que Nova Venécia tem o maior consumo da região; Vila Pavão é o único município que se aproxima do consumo de Nova Venécia. São Mateus apresenta um consumo menor, devido à falta de dados do ano de 2008, mas se mantivesse a média do consumo, ainda apresentaria valores menores que o de Nova Venécia. O resultado do gráfico mostra que mesmo com a situação hídrica semelhante à de cidades próximas, Nova Venécia está apresentando um consumo muito alto, e que este, pode e deve ser reduzido.

GRÁFICO comparativo entre o consumo de Nova Venécia e cidades vizinhas.

Depois, a comparação partiu para uma esfera maior. O consumo de Nova Venécia foi comparado ao do Estado do Espírito Santo. Percebe-se que o consumo do Estado em valores absolutos é bem maior, porém, o que também é perceptível, é que a linha de tendência de Nova Venécia apresenta uma inclinação para o aumento do consumo bem maior do que de todo o Estado.

GRÁFICO comparativo entre o consumo de Nova Venécia e o Estado do Espírito Santo.

Por último, o consumo veneciano foi comparado ao de todas as regiões geográficas do Brasil. Observa-se que a Região Sudeste apresenta o maior consumo médio per capita de água por concentrar a maior população, maior área urbanizada, apresentar a maior atividade industrial e também uma grande atividade agropecuária. Por outro lado, a Região Nordeste – bem conhecida pelo seu clima árido e semiárido – é a que possui menor consumo médio per capita de água. Um fato curioso ao analisar o gráfico, é que a Região Norte, marcada pela abundância de recursos hídricos, possui, relativamente, um baixo consumo quando comparado com as Regiões Sudeste e Centro-Oeste, significando que a abundância de água não necessariamente implica em maior consumo. Neste gráfico, é possível referenciar a pequena Nova Venécia em um nível nacional.

GRÁFICO comparativo entre o consumo de Nova Venécia e as regiões do Brasil.

Este estudo realizado pelos alunos do Ifes de Nova Venécia mostra-se muito importante neste momento, já que a região passa por mais um período de seca. A lição que fica é que o cidadão veneciano anda usando mais água do que realmente seria necessário para ter condições dignas de sobrevivência. Isso significa que há uma necessidade e uma potencialidade para a redução do consumo atual.

A sugestão é de que haja mais programas de educação ambiental para a população, fazendo com que esta, reconheça a necessidade de repensar e modificar seu padrão atual de consumo de água tratada, já que a região mais afetada pela crise hídrica é a Região Noroeste do Estado, na qual Nova Venécia está inserida.

O trabalho foi produzido pelos alunos do atual 4º período de Licenciatura em Geografia: Anna Paula Lazaro da Rocha, Bruno Gaburro de Lima, Fabiana Furtado de Souza, Marcela Scaramussa e Solivan Altoé, tendo como orientadora a professora Mariana dos Santos Cezar.

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