Secretaria da Saúde lança plano de combate a doenças crônicas não transmissíveis

As doenças crônicas não transmissíveis, juntamente com os acidentes e violências, representam a principal causa de adoecimento e morte no mundo, uma tendência que se repete no Brasil e, mais especificamente, no Estado do Espírito Santo, onde a situação não é diferente. As doenças cardiovasculares, as neoplasias (cânceres) e os acidentes e violências são a maior causa de morte no estado. A questão é: como barrar o avanço dessas doenças e agravos não transmissíveis e fazer com que a população tenha mais saúde e qualidade de vida?

O Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis (DANTs) no Espírito Santo, lançado oficialmente nesta terça-feira (05) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), coloca em pauta essa discussão e traz propostas para que os municípios e o estado reduzam as complicações e a mortalidade por essas causas. Levantamento feito pela Sesa mostra que foram gastos R$ 143.975.192,27 com internações por doenças crônicas não transmissíveis, violências e acidentes em 2015. O valor representa 54% do total (R$ 265.750.335,28) gasto com internações no estado naquele ano.

Uma das representantes do Ministério da Saúde no evento, Cheila Marina Lima parabenizou a equipe da Secretaria de Estado da Saúde pela conclusão do plano. Ela comentou que os desafios estão colocados e são muitos, mas que o estado está tendo a ousadia de enfrentar aqueles que são os principais problemas de adoecimento e morte no país. “Quando a gente vem e compartilha isso com vocês, vocês não têm ideia da motivação que nos dá para continuar o trabalho. Vocês aceitaram o desafio, estão na militância. O Ministério da Saúde está totalmente junto com vocês”, disse.

Segundo a gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Gilsa Rodrigues, o plano traz um perfil epidemiológico do estado, ou seja, mostra quais são os maiores problemas e onde eles estão, e o que precisa ser feito agora é pensar medidas de intervenção. “A partir do início de 2018, vamos trabalhar um plano de ação junto com as regionais de saúde e os municípios, olhando para o perfil epidemiológico de cada um. Tem lugar que precisa atacar primeiro as neoplasias, então vamos trabalhar com isso. Onde é que a Rede Cuidar vai nos ajudar? Tem exames para todos? Tem exames na região? Mostrar os números, pensar ações junto. Se o problema em determinada região ou município é a violência contra a mulher, o jovem ou a criança, com que é que nós vamos fazer interface? Este é o momento de intensificar essas interlocuções no sentido de fazer intervenção”, comentou a gerente.

Gilsa destacou, ainda, que algo extremamente importante no plano é o protagonismo do cidadão. “Quando pensamos em hipertensão, diabetes, obesidade, se não tiver o protagonismo do cidadão, remédio sozinho, serviço de saúde sozinho não vai dar conta de resolver aquele problema de saúde. Doença crônica não transmissível, quem não tem pode ter um dia. Somos todos candidatos. Por isso que a gente realmente precisa fazer uma política forte para proteger a população”, salientou a gerente.

Para a Secretaria de Estado da Saúde, o desafio é organizar a rede de atendimento em saúde a partir de uma visão única, que passa pela promoção da saúde e pelo cuidado integral ao paciente. A proposta já vem sendo trabalhada pelo Governo do Estado por meio da Rede Cuidar, que está promovendo a integração dos serviços da Atenção Primária à Saúde com a Atenção Ambulatorial Especializada. Isso porque é nos serviços básicos de saúde que se resolvem 80% das demandas, e mais 15% nos serviços ambulatoriais especializados. “A Rede Cuidar já foi pensada olhando o perfil epidemiológico da região. Ela já foi planejada para atender à necessidade daquela população”, observou a gerente de Vigilância em Saúde da Sesa.

Estão previstas a implantação de cinco unidades da Rede Cuidar em todas as regiões do Espírito Santo. As unidades estão localizadas em Nova Venécia (em funcionamento desde setembro de 2017), Santa Teresa, Linhares, Guaçuí e Domingos Martins. Assim como a Rede Cuidar, os Centros Regionais de Especialidades (CREs) também estão situados no nível da atenção ambulatorial especializada, e devem também incorporar a metodologia de trabalho proposta pela planificação para passar a atuar dentro do modelo de atenção à saúde já utilizado na Rede Cuidar.

O Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis já vem sendo desenvolvido pela Sesa e está alinhado com diferentes frentes de trabalho que estão sendo tocadas pela pasta. Passa, por exemplo, pela Programação Geral das Ações e Serviços de Saúde (PGASS) e envolve também a Planificação da Atenção à Saúde. Engloba, ainda, o Movimento 21 Dias, lançado em 2015 como estratégia de combate a hipertensão arterial, diabetes e outras doenças preveníveis por meio de hábitos de vida saudáveis.

Com o lançamento oficial do plano, a Secretaria de Estado da Saúde vai iniciar um trabalho mais intenso de mobilização dos municípios, por meio de oficinas regionais, visando desdobrar as ações propostas e alcançar um resultado efetivo na implementação das medidas. É um trabalho de longo prazo, pois depende de mudanças de hábito de vida, como parar de fumar, praticar atividade física e comer melhor. Além disso, demanda o envolvimento não só do governo estadual, mas também da administração federal e dos municípios, além do apoio da população.

Além de gestores e técnicos da Secretaria de Estado da Saúde, participaram da agenda equipes de outras secretarias de governo que fazem interface com o plano, gestores e técnicos de saúde dos municípios capixabas, universidades e representantes do Ministério da Saúde.

Saiba mais

A PGASS é o eixo metodológico estruturante de toda a organização dos serviços de saúde dentro dos territórios regionais. Fazer a programação das ações e dos serviços de saúde significa identificar as necessidades de saúde da população e traduzi-las em ações e serviços de saúde, ou seja, em consultas, exames, terapias, procedimentos, internações, cirurgias, enfim, no atendimento à população. O objetivo da PGASS tem como objetivo sistematizar os pactos entre gestores das três esferas de governo, privilegiando o espaço regional como local de negociação e estruturação da Rede de Atenção à Saúde e integrando os serviços e os recursos disponíveis para atender às necessidades da população.

A PGASS segue até maio de 2018. Dentre os benefícios que virão com a conclusão da programação estão: plano de ação regional; ampliação do acesso da população aos serviços de saúde dentro do território regional; ter planos municipais de saúde qualificados; identificar os vazios assistenciais (falta de serviços) e elaborar um mapa de investimento de médio e longo prazo; equipes de atenção primária e de atenção especializada qualificadas para esse novo modelo de atenção; e contratualização regional e regulação do acesso aos serviços regionalizadas.

Para chegar ao padrão de atendimento da Rede Cuidar, já aprovado pela população na Região Norte, onde foi instalada a primeira unidade da Rede Cuidar, em setembro, a Secretaria de Estado da Saúde iniciou a Planificação da Atenção Primária à Saúde. O processo de planificação veio para mudar os processos de trabalho e as rotinas institucionais da atenção primária à saúde, que é a porta de entrada dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), e da atenção ambulatorial especializada, que oferece consultas e exames especializados, integrando em rede esses dois níveis de atendimento.

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