Reconstrução da Síria custará US$ 400 bi e Brasil pode participar, aponta diplomata

— A Síria está no final dessa guerra trágica e nos próximos anos inicia-se um grande processo de reconstrução. E nesse processo é crucial que o Brasil saiba se posicionar. Altas autoridades do governo deixam claro pra mim que o Brasil e suas empresas são percebidas como entre as prioritárias. Calcula-se que a reconstrução demandará US$ 400 bilhões. Vejo oportunidades na área de indústrias, agronegócio em geral e petróleo, por exemplo. O setor de petróleo sírio foi muito afetado, eles precisam de um grande apoio em máquinas, equipamentos e novas tecnologias. Nós temos muito a oferecer neste campo, assim como na parte de xisto — detalhou.

Além dessas áreas, Pitaluga também avaliou que serão abertas oportunidades nas áreas de mineração, energia elétrica, saúde, construção civil, turismo, pecuária e indústria de laticínios. Uma das prioridades do embaixador é reativar o Conselho Empresarial Brasil-Síria, que deixou de operar devido à guerra.

Brasil, nação amiga

O diplomata informou que as boas relações entre Brasil e Síria são fruto de um entendimento histórico, e também pela postura brasileira, durante todo o período da guerra civil, de reiterar a soberania e independência da nação árabe na superação do momento trágico. Também pesa muito para os sírios a grande comunidade deles que vive aqui, por isso o Brasil é percebido por parcela da população como “o segundo país”, disse Pitaluga.

— Não fechamos a embaixada durante todo este período de guerra. Deixamos claro que apoiamos todos os esforços multilaterais na solução política visando à paz, num processo conduzido pelos próprios sírios, facilitado pela ONU, sem interferências externas. Defendemos a soberania, integridade territorial e independência do país e apoiamos o Diálogo Nacional Sírio ocorrido em Sochi [Rússia] — afirmou.

Ao final, Pitaluga ressaltou que a situação síria ainda tem certa instabilidade, uma vez que combates ainda ocorrem em algumas cidades. Mas a tendência percebida pelas autoridades e outros setores envolvidos é de que a conflagração termine.

Collor

O presidente da CRE, Fernando Collor (PTC-AL) — que visitou recentemente a Síria e reuniu-se com o presidente Bashar Al-Assad — responsabilizou potências estrangeiras pelo longo conflito no país.

— As grandes potências, que deveriam preservar a estabilidade mundial, são hoje as principais causadoras da instabilidade. Tudo que vemos na Síria, por exemplo, é absurdo. É fora de qualquer explicação plausível, a não ser a ganância, a avareza, o ímpeto de dominação que essas grandes potências têm. Provocam um enorme sofrimento na população mais simples, já são 500 mil mortes e 13 milhões de desterrados — lamentou o senador, que por outro lado elogiou a forma como o Itamaraty vem se conduzindo durante todo o processo.

Embaixada em Jerusalém

Também durante a sabatina, Cristovam Buarque (PPS-DF) e Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestaram preocupação quanto à possibilidade de mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, anunciada pelo futuro governo de Jair Bolsonaro. No entender dos senadores, isso provocará reações imediatas dos países árabes. Sem mencionar a mudança da embaixada, Pitaluga esclareceu que de fato qualquer decisão do governo brasileiro no relacionamento com estas nações precisa ser “muito bem refletida e aproveitar as oportunidades que se abrem”.

O senador Guaracy Silveira (DC-TO) também ressaltou que historicamente a Síria é uma das mais abertas nações árabes em relação à participação de diferentes etnias e religiões nas determinações de Estado, o que foi confirmado por Pitaluga.

A análise da indicação do embaixador segue agora para o Plenário do Senado.

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