Josiel Santana: “A dificuldade hoje é a competição entre os agentes políticos”

Biel trabalha para aprovar o projeto de sua autoria, que propõe a redução do número de parlamentares de 13 para 9, em Nova Venécia.

Elias de Lemos (Correio9)


VEREADOR Biel da Farmácia em visita ao Correio9.

A eleição municipal de 2016 foi de grande renovação na Câmara de Vereadores de Nova Venécia. Entre os ‘novatos’ da Casa, está o vereador Josiel Santana, o Biel da Farmácia (PV). Casado e pai de um casal de filhos, formado em Farmácia, Biel se divide entre a Câmara e a Prefeitura de São Mateus, onde é servidor concursado. Na última terça-feira, ele esteve na Redação do Correio9, onde concedeu uma entrevista falando sobe o exercício do seu mandato.

Antes de se eleger, Biel atuava na Secretaria Municipal de Saúde de Nova Venécia, que foi a sua porta de entrada na política. Lá, ele conta que foi “intimado” a se candidatar para o Conselho Municipal de Saúde, onde exerceu dois mandatos consecutivos, que somaram quatro anos. “Daí eu fui gostando”, disse.

Em 2012, ele passou pelo seu primeiro teste nas urnas, quando concorreu a uma vaga na Câmara, obtendo 396 votos. Porém, não se elegeu devido à legenda.

Quatro anos depois, em 2016, ele disputou novamente e foi eleito com 977 votos, sendo o mais votado no município.

Biel descreve a política como algo que se apresenta para melhorar a vida das pessoas, mas destaca que a burocracia do mundo político é muito grande: “Você chega a mil por hora e acaba tendo que reduzir para dez, este é um entrave muito ruim”, declarou. Além disso, ele destaca a falta de experiência no início do mandato.

Disse que tem uma boa relação com o Poder Executivo, do qual foi líder na Câmara por dois anos.

BIEL concedeu entrevista ao jornalista Elias de Lemos.

Segundo o vereador, a maior dificuldade dentro do Legislativo veneciano, na atualidade, é a competição entre os agentes públicos: “Muitos não pensam no projeto que você tem, só querem detonar”, afirmou.

Neste sentido, ele defende a competição com trabalho: “Seria muito mais produtivo para o município se a competição fosse por melhores propostas. Todos sairíamos ganhando, mas da maneira como está, todos saímos perdendo”.

Biel explicou que existe, entre os vereadores, uma “enorme” disputa por espaço, com o intuito de aumentarem suas abrangências eleitorais.

O parlamentar cita como exemplo, o projeto do reembolso de combustível, que foi amplamente atacado nas redes sociais como se fosse “farra”. Teve vereador distribuindo mensagens enganosas contrárias ao projeto. Porém, Biel afirma que com a economia que será gerada, no final do ano a Câmara fará uma devolução recorde de dinheiro para a Prefeitura.

Para Biel, é preciso muito diálogo, muita clareza e apresentar projetos palpáveis.

Lá dentro da Câmara

No início da atual legislatura, havia muita expectativa em relação à nova Câmara. Neste aspecto, ele faz uma avaliação positiva do desempenho do Legislativo como um todo: “A Câmara passou por momentos delicados e deu respostas à sociedade”, disse.

O vereador lembrou da polêmica gerada pelo projeto que instituía o pagamento de 13º e férias para os vereadores, o qual não foi aprovado.

Falou, também, da apuração de denúncias contra vereadores, que segundo ele, foram todas realizadas de forma isenta e independente, com algumas condenações e absolvições. “A Câmara corta na própria carne”, afirmou.

No momento, Biel trabalha para aprovar o projeto de sua autoria, que propõe a redução do número de parlamentares de 13 para 9, em Nova Venécia. A proposta causou indignação naqueles que não querem a diminuição.

Para ser aprovado, o projeto precisa de 9 votos, que significam 2/3, do total, com votação em dois turnos. O projeto foi assinado por seis vereadores: Luciano Márcio e Dejanir Dias (PSB), Antonio Emílio (Cidadania), Cabo tikeira (PV), Evaristo Miguel (PTB) e o próprio Biel, autor da proposta.

Ele calcula que com a redução do número de vereadores, será feita uma economia de R$ 1 milhão em quatro anos. Segundo ele, a Câmara nem sequer comporta os 13 atuais, lembrando que o prédio não dispõe de sala para todos eles.

Biel ampara sua proposta em exemplos como o município de São Mateus, que tem mais de 120 mil habitantes e apenas 9 vereadores, e a Capital, que com quase 400 mil pessoas, tem a mesma quantidade de parlamentares que Nova Venécia. Ele considera isso um contrassenso.

Quanto ao futuro, ele afirma que se o “espaço político comportar”, será candidato, podendo concorrer a qualquer cargo: “Podemos compor com o prefeito, que está fazendo um grande trabalho”.

A única coisa que ele afirma é que, independente de qualquer coisa, será candidato à reeleição, mas não descarta a possibilidade de concorrer à Prefeitura. Para ele, tudo dependerá do quadro político no momento da eleição.

Biel disse que em nenhum momento se arrependeu da opção pela política. Mas, falou do preconceito que a classe política vem sofrendo, com enxurradas de denúncias e políticos investigados e presos. Para ele, isso acaba levando o povo a generalizar: “As pessoas estão descrentes com os políticos e isso afeta a forma de fazer política. Isto tem que mudar e vai mudar, mas vai levar muito tempo até a classe política recuperar a credibilidade”.

No momento, ele destaca duas conquistas. Uma delas é a reforma da quadra do Bairro Margareth, que está abandonada há vários anos, servindo de ponto de uso de drogas. A licitação já está a caminho, garantiu ele. Outra é a de um caminhão que ele conseguiu junto à Secretaria de Estado de Agricultura (Seag). O veículo será entregue a uma associação de produtores.

O chamamento público para a entrega do carro foi feito na última terça-feira. Ele observou que não recorreu a ninguém. Foi direto à Seag e obteve o veículo: “Não pedi a nenhum deputado, nenhum senador, foi como deve ser, sem nenhuma interferência política de qualquer natureza”.

Para finalizar, agradeceu ao apoio que recebe dos amigos, família e seus eleitores. Em seguida, esclareceu que exerce o mandato de vereador ao mesmo tempo em que trabalha como farmacêutico concursado da Prefeitura de São Mateus. Segundo ele, não lhe falta tempo para estudar os projetos, visitar comunidades e fiscalizar o município: “Não me falta tempo para cumprir minhas obrigações parlamentares nem as profissionais, eu tenho consciência do tamanho das minhas responsabilidades”.

COMENTE

Please enter your comment!
Please enter your name here