Felicidade com gelo, leite e açúcar

Três décadas em uma bela profissão: vendedor de picolé.

Kim Campos (Correio9)


MANOEL Gomes da Silva há mais de 30 anos vende picolé em Nova Venécia.

A última quinta-feira, 12, marcou a passagem do Dia das Crianças e se existe um produto que marca a felicidade dos pequenos ele tem um nome: picolé. Mas não são apenas as crianças que o idolatram. Em tempos quentes como os que se vivem atualmente, os adultos também se contemplam com a alegria de desfrutar um picolé para se refrescar.

Com isso, um senhor que completará 60 anos em março do ano que vem, batizado com o nome de Manoel Gomes da Silva, registra seu nome na história com longínquos 30 anos de vida dedicados ao labor de vender picolé.

Nascido em São Gabriel da Palha, veio para Nova Venécia com oito meses de idade. Trabalhou como empregado em uma empresa que produzia blocos de cimento. Depois foi para a roça e em seguida tentou ganhar o pão de cada dia em Vitória. Não deu. Com cerca de 30 anos de idade voltou para Nova Venécia onde começou a trabalhar vendendo picolé. Foram dez anos em uma empresa e agora outros 20 anos na Kakitu’s, que comercializa uma tradicional marca do produto na cidade.

Manoel conta que quando começou a trabalhar no ramo, o picolé era vendido a cinco centavos, bem menos do que os valores praticados hoje que são de R$ 1,50 a R$ 3,00.
Com isso, a média que era mais de 100 produtos vendidos por dia, caiu para cerca de 70. No feriado da quinta-feira, 12, por exemplo, no trajeto do bairro Santa Luzia (Volta Escura) até o estádio em Nova Venécia, vendeu 106, “mas era um dia especial”, explica.

Andando cerca de seis quilômetros por dia, Manoel revela que fatura em média o valor de um salário mínimo por mês, fruto dos 40% a quem tem direito sobre a venda de cada picolé.

No passado, há 20 anos aconteceu um recorde de vendas. Sabendo que haveria um batizado nas águas do Rio Cricaré, na região do Pip Nuck – zona rural de Nova Venécia – Manoel seguiu os evangélicos a pé até lá, em um percurso de mais ou menos 15 quilômetros. “Eles seguiram a pé da cidade até lá, mas não sabiam que era tão longe. Daí nesse dia vendi 1600 picolés”, conta.

Trabalhando de domingo a domingo, das 9h30 até as 16 horas, o decano em vendas de picolé é um homem calmo, humilde e que sai gelando e adoçando a vida de quem cruza seu caminho. “Não precisamos de muito para ser feliz. Faço um trabalho digno, honesto e que sei que ajudo a alegrar a vida das pessoas, principalmente com o picolé mais vendido, que é o de coco (risos)”, finaliza.

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