EXCLUSIVO: Armados até os dentes, jovens caminham pelo Bairro Rúbia, em Nova Venécia

O FILME “Cidade de Deus”, de 2002 (foto acima), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, conta a história de dois rapazes. Buscapé é um fotógrafo que registra o cotidiano violento do lugar, e Zé Pequeno, um menino que se torna um ambicioso traficante. O filme é uma descrição de como a criminalidade, associada ao tráfico de drogas, nasce e cresce. Exatamente como está acontecendo em Nova Venécia nos últimos anos. O problema é grave e exige resposta por parte das autoridades, enquanto há tempo. Caso contrário, onde isto vai chegar?

 

Equipe Correio9

Depois do pânico de sexta-feira (conforme reportagem abaixo), no sábado a situação foi, aparentemente, tranquila. No entanto, no domingo, moradores de várias ruas do Bairro Rúbia testemunharam uma cena incomum, em Nova Venécia.

 

Por volta das 14:45, um grupo de oito homens com armas nas mãos, percorreu algumas ruas do bairro. Todos aparentavam ser bem jovens, com idades aproximadas entre 17 e 21 anos.

 

Segundo moradores relataram à reportagem do Correio9, ao longo do dia, o grupo permaneceu escondido em um cafezal próximo ao Bairro Parque das Flores. De lá, eles se deslocaram a pé em direção ao Rúbia, onde iniciaram a caminhada pela Rua Fornazieri.
Na altura do cruzamento com a Rua Tonico Santos Neves, houve um momento de tensão e correria, quando se defrontaram com um grupo de adolescentes.

 

Os adolescentes correram, e o grupo, armado, permaneceu no local por alguns minutos. Em seguida, se separou em dois, retornando ao Parque das Flores. Três deles retornaram pela Rua Fornazieri, enquanto os outros cinco seguiram pela Rua Duarte.

 

Pouco mais de meia-hora depois, às 15:20 o grupo que correra, retornou aparentando estar armado.

 

Muitos moradores conversavam nas calçadas – nas portas de suas casas – enquanto crianças brincavam nas ruas.

 

Todos se assustaram ao constatarem o que assistiam. “Nunca pensei que veria uma coisa assim aqui!”, uma moradora disse à reportagem. Ao ouvir isto, outra moradora completou “e é melhor a gente fingir que não viu nada”.

 

A reportagem conversou, ainda, com alguns adolescentes do lugar. Dois deles disseram que: “O pessoal do Bonfim quer subir o ‘chapadão’”. Chapadão é como eles estão denominando a região da Cidade Alta, em Nova Venécia. Na prática, isto indica a existência de uma disputa pelo controle de pontos de vendas de entorpecentes na cidade de Nova Venécia.

 

Outro relatou que o grupo armado, que invadiu o Bairro Rúbia, estaria à procura de um dos atiradores da sexta-feira, 13, sob a alegação de que um, dos dois, indivíduos, teria circulado pelo bairro.

 

Segundo informações, até à noite de domingo o grupo permanecia no cafezal. Com medo de um possível confronto, os moradores estabeleceram um “toque de recolher”, evitando as ruas naquela noite.

 

Guerra do tráfico impõe medo e aterroriza em Nova Venécia

 

Por volta das 13 horas, da última sexta-feira, (13), tentativas de execução causaram pânico e medo aos moradores do Bairro Rúbia, em Nova Venécia, deixando três jovens baleados, dois deles em estado grave. A ação aconteceu na Rua Barão dos Aimorés, uma das ruas mais movimentadas do bairro. A reportagem do Correio9 apurou que não se trata de um fato isolado, mas, de uma “guerra” declarada, há mais de dez dias.

 

Na semana anterior, moradores dos bairros Aeroporto I e Bonfim relataram a ocorrência de disparos nas ruas dos dois bairros. A soma totaliza pelo menos cinco. No entanto – em razão dos horários e locais dos tiros, normalmente, tarde da noite, em ruas isoladas – as circunstâncias não puderam ser esclarecidas.

 

Porém, na sexta-feira, 13, o cenário e o horário mudaram. Foi na Rua Barão dos Aimorés, à luz do dia e na “frente de todos”.

 

Três jovens conversavam próximos de um carro parado nas imediações da Igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira; onde tem, ainda, uma barbearia, salões de beleza, uma clínica de psicoterapia e uma farmácia. Um deles estava dentro do carro.
Repentinamente, dois homens apareceram a bordo de uma moto. Eles já chegaram atirando. Baleado, um dos jovens caiu na calçada. O segundo foi atingido de raspão, nas costas, enquanto o terceiro fugia, em alta velocidade. No entanto, ele foi alcançado a aproximadamente quinhentos metros do local, perto da rotatória da Alameda do Parque.
O lugar é de intenso movimento o dia inteiro. Lá, o terceiro jovem foi atingido por disparos. Os três foram socorridos até o Hospital São Marcos.

 

Josué Vicente Galdino e Patrick Azevedo foram transferidos, em estado grave, para o Hospital Roberto Silvares, no município de São Mateus. Enquanto o outro baleado – cujo nome não foi divulgado – foi levado até à Delegacia.

 

O fato provocou susto e medo a todas as pessoas que assistiram. Os pedestres corriam em todas as direções e muitos comerciantes fecharam as portas.

 

Polícia Civil prepara ação para os próximos dias na cidade

 

A reportagem do Correio9 ouviu a Polícia Civil de Nova Venécia. O delegado responsável pela Delegacia de Crimes Contra a Vida, Wilian Dobrovosk, disse que o caso já está esclarecido.

 

Segundo ele, todas as testemunhas já foram ouvidas. “Já sabemos quem são os envolvidos”, disse.

 

O delegado falou, também, que a investigação está “bem encaminhada” e, o próximo passo é enviá-la ao Ministério Público.

 

Ele esclareceu que não houve tiroteio, como chegou a ser noticiado na imprensa, mas, um ataque unilateral.

 

Questionado sobre os próximos passos, ele disse que: “Não foi algo simples o que aconteceu, portanto é preciso estar bem fundamentado para uma ação efetiva. Nos próximos dias, a sociedade vai ter uma resposta”.

 

De acordo com o delegado, a motivação tem origem em uma disputa por pontos de vendas de drogas, o que, segundo ele, exige uma ação definitiva.

 

“Um acontecimento como este, à luz do dia, afronta a sociedade. Hoje este caso é a nossa prioridade aqui na Delegacia”, finalizou o delegado.

1 COMENTÁRIO

  1. Anunciar que haverá ações não vai de jeito algum solucionar até pq muitos dos envolvidos tem acesso a redes sociais e já devem estar todos preparados para não serem de forma alguma atingidos por esse investigação

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