Ele tem um pé no passado e guarda o que muita gente nem sabe que existiu

A coleção do policial militar José Alfredo Firme, de Nova Venécia, começou com moedas antigas e atualmente abrange objetos imemoráveis.

Elias de Lemos (Correio9)


Um entusiasta que enche a casa de objetos antigos. Um apaixonado por coisas que já fizeram parte, mas não estão mais no uso cotidiano. Quem se lembra do cartão telefônico? Pois ele tem mais de cinco mil. É aficionado por carrinhos em miniatura, bonecos de super-heróis e gibis. É apreciador dos discos de vinil, de selos e moedas antigas. Este é o perfil do policial militar José Alfredo Firme, um dos colecionadores em atividade em Nova Venécia. Com um pé no passado, ele contempla e organiza, sistematicamente, suas coleções com a proposta de guardar a história de produtos, objetos e documentos e trocar; além de disseminar informações sobre o material colecionado.

José Alfredo Firme é um aficionado por objetos antigos e coleciona desde os 17 anos de idade.

José Alfredo, ou Firme, como é mais conhecido, tem 33 anos, é casado, tem dois filhos e um enteado, enquanto aguarda o terceiro filho, que chega em dezembro. Ele começou a juntar objetos aos dezessete. Para ele, a essência do colecionador é guardar um pedaço da história. Na prática é um exercício de subjetividade que busca a proteção do subjetivo em um contexto em que o ritmo das inovações acontece de forma muito acelerado.

Há quem acredita que colecionar objetos antigos é coisa de louco, alguns acham que é mania, mas os colecionadores são pessoas extremamente apaixonadas. São pessoas que buscam as conexões entre o passado e o presente, e, para tanto deixam o passado sempre vivo na memória.

Firme recebeu o Correio9 em sua casa, onde guarda suas raridades. Foi lá que ele abriu seus arquivos e apresentou o seu tesouro à nossa reportagem.

A aventura de colecionador começou pelo seu interesse por moedas. O ano era 2001, quando Firme ainda estudava no Ensino Médio. Em seguida, começou a guardar cédulas. Ele narrou que tudo começou quando conheceu um colega, na escola, que possuía algumas moedas antigas. Ao compará-las, ele percebeu diferenças que, em suas palavras, “parecem guardar uma identidade”.

O acervo de cédulas e moedas é quase completo, incluindo réplicas e originais do Brasil e de outros países.

Sua coleção de moedas é vasta e inclui raridades. Como as cédulas do “dinar”, a antiga moeda iraquiana, que foi recolhida e incinerada, após a queda do regime, em 2003, por conter a efígie do ditador. Mas, tem também a rúpia, da Índia e dinheiro de países da África, Europa e da Ásia.

Conversar sobre as moedas e cédulas, que formam as coleções, é viajar sobre pontos interessantes e curiosos da história do dinheiro e suas diferenças. E mais, como o dinheiro possui simbologias.

A coleção de moedas é quase completa, formada com objetos em bronze, cobre e prata. E, também inclui boa parte dos países do mundo, sendo algumas réplicas.
Porém, é no catálogo de moedas brasileiras que se encontra uma descrição completa da história da evolução do dinheiro no Brasil. Desde as primeiras representações monetárias até o Real, a moeda brasileira descreve as fases do país, e a coleção do policial Firme conta isso, desde o “Réis”, até o Real.
Existem, por exemplo, três diferentes cédulas de R$ 1,00. Nem todas as cédulas são iguais, elas guardam diferenças em razão da série de emissão.

Na coleção de moedas comemorativas é possível identificar os eventos marcantes da história e das realizações brasileiras. Neste grupo está a maior moeda já cunhada para uso no Brasil, em comemoração aos quatrocentos anos do descobrimento, no ano de 1900. Ela tem mais de cinco centímetros de diâmetro e estampa a efígie de Pedro Álvares Cabral.
Todas as moedas cunhadas em comemoração às Olimpíadas do Rio de Janeiro, também, estão no acervo. Mas não é só isso.

Na coleção, mais de cinco mil cartões telefônicos.

Quando começou a colecionar cartões telefônicos, Firme não imaginava que eles cairiam em desuso. Ele pensava, apenas, em colecionar as diferenças. Hoje, com o cartão na, quase, inutilidade, a sua coleção se tornou algo raro. São mais de cinco mil peças catalogadas e devidamente organizadas em álbuns, e outra infinidade de repetições, pronta para a troca.

Sobre os objetos que mais gosta de garimpar, o colecionador conta que são coisas muito diferentes, que guardam particularidades próprias, portanto, difíceis de comparar.
Como comparar grandes bonecos de super-heróis com miniaturas de carros antigos. Pois o colecionador possui os dois. Aliás, a coleção de carros serve para se ter uma ideia da evolução dos carros brasileiros, começando pelas primeiras marcas que foram vistas nas ruas do país.

Miniaturas de automóveis passeiam pela indústria e pela história do carro no Brasil.

A última categoria a entrar na mira do colecionador foi a dos selos. Nela, também é possível rememorar pontos importantes do tempo que se afastou da memória, mas que ficou na nossa história.

Questionado sobre vender alguma antiguidade, ele diz que não está nos seus planos. Para quem coleciona, a venda mutila, porque a venda retira um pedaço e não tem graça. O hobby de colecionar objetos antigos continua, mas conforme José Alfredo Firme disse, ao Correio9, não existem muitos colecionadores. Isso torna difícil a complementação das coleções, mas mesmo assim, a sua paixão é maior do que os empecilhos. Ele tem contato com colecionadores do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro e busca conhecimento de outras pessoas que têm o mesmo hobby.

Os contatos com outros apaixonados por coleções levaram Firme a participar de encontros com colecionadores de cartão telefônico.

Hobby ou museologia?

Uma das principais características do colecionador é a minúcia, pois
muitas vezes são tênues as diferenças que determinam o que deve ser catalogado.

Muitas profissões surgem do hobby que as pessoas têm. A tarefa não é fácil. Para conseguir juntar tantas coisas, Firme precisa descobrir, fazer contato e conversar com as pessoas.

Gibis antigos como Tex, Conan, Tarzan, Homem-Aranha e outros fazem parte da coleção de Firme.

O colecionador é aquele que classifica as coisas: cédulas, moedas e medalhas, selos, discos de vinil, miniaturas, gibis, enfim, qualquer coisa, de acordo com alguma metodologia ou padrão. Uma das principais características do colecionador é a minúcia, pois muitas vezes são tênues as diferenças que determinam o que deve ser catalogado. Precisa ter conhecimento de história, pelo menos uma base, pois a moeda, como outros objetos, é um pedaço da história. Para Firme: “É preciso ter senso de observação, paciência, vontade de ler, conhecer. Se não vai ser apenas um guardador de coisas velhas”.

Seu dia a dia é dividido entre a atividade profissional e ao tempo dedicado a lidar diretamente com cada uma das peças que compõem o seu acervo. Muitas delas são de valor desconhecido, mas possuem significados incomparáveis.

A coleção ainda não está completa, mas ele dispõe de incontáveis peças repetidas que estão disponíveis para a troca com outros colecionadores. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (27) 99833-8003, afinal, é da troca que vive um bom colecionador.

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