E se não existisse ouro?

O Brasil ainda teria sido uma colônia explorada. Mas de outra maneira. Com o fim do ciclo do açúcar, no século 17, Portugal teria de desenvolver a manufatura em sua principal colônia, para ela continuar valendo a pena financeiramente. Outros produtos seriam explorados, como tabaco e algodão. O investimento traria mais tecnologia e a sequela da monocultura seria menor. O Brasil se desenvolveria mais cedo. Já Portugal, sem o boom do ouro, teria dívidas ainda maiores com os ingleses. As igrejas seriam menos opulentas e a dependência externa, maior.

Haveria outras mudanças na economia. No século 19, as principais nações adotavam o padrão-ouro, sistema financeiro que definia o valor da moeda de acordo com a quantia do metal que o país possuía. Até a Grande Depressão, nos anos 30, os Estados Unidos funcionavam assim. Mas isso não impediu outros lugares de terem padrões diferentes. Sem ouro, é possível que o padrão-prata, usado até 1935 pela China (hoje a segunda maior produtora mundial de ouro) fosse mais comum. Com isso, México, Peru e Bolívia, que abrigam algumas das maiores minas de prata do mundo, seriam colônias ainda mais exploradas.

Mas a prata é muito mais comum que o ouro. Ela não serviria como ícone de status. Isso caberia às pedras preciosas, como sempre, e à platina, que é ainda mais rara que o ouro. O metal começou a ser explorado comercialmente no século 19, quando virou matéria-prima de joias, por exemplo. O prateado da platina seria o mais alto grau de luxo, cobrindo orelhas, pescoços, pulsos e, por que não, dentes. E, em 1904, quando a premiação olímpica ganhou o formato atual, a platina estaria no alto do pódio, nas medalhas no peito dos campeões.

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