Correio9 volta ao bairro Padre Giane e ouve reivindicações dos moradores

PREFEITURA de Nova Venécia tem projetos para resolver os problemas de esgoto e pavimentação do local.

Elias de Lemos (Correio9)


Em dezembro de 2017, o jornal Correio9 publicou uma extensa reportagem sobre os problemas enfrentados pelos moradores do Bairro Padre Giane, em Nova Venécia. Na última semana, a equipe voltou ao local para conferir como o bairro se encontra. Lá foi recebida pelo morador José Clécio Vieira dos Santos que – como na primeira reportagem – conduziu e apresentou a outros moradores.

O trecho a seguir, foi escrito há mais de um ano, na primeira publicação sobre o bairro; no entanto, ele permanece atual: “No bairro, falta, literalmente, tudo! Faltam rede de esgoto, pavimentação, posto de saúde, escola e a lista não para por aí. O que não falta por lá são problemas e a vontade dos moradores de ver o bairro com boa infraestrutura”. A situação continua a mesma.

O cascalho que, há um ano, recobria as ruas, praticamente, desapareceu. Porém, esgoto a céu aberto, mato, lixo e entulho amontoados continuam fazendo parte da paisagem do Padre Giane. Segundo os moradores, o bairro só é limpo quando tem algum evento com convidados de fora.

A estação de coleta de esgoto começou a ser construída, mas está inacabada e tomada pelo mato. Enquanto isso, o esgoto continua sendo descartado no mesmo local, apelidado de “pinicão”. De lá, os dejetos escorrem pela mata, poluindo e destruindo a vegetação.
O mau-cheiro é muito forte. Francieli de Almeida mora a, aproximadamente, 30 metros do “pinicão”. Ela contou que limpa a casa “todos os dias a toda hora”. E explica o motivo: “É muita poeira, aqui não tem calçamento em lugar nenhum”.

Em seguida ela pede à equipe: “Fala sobre o esgoto, também, ninguém merece isso. É muito mosquito e muito mau-cheiro”. Ela disse que tenta diminuir o problema mantendo a casa fechada, mas mesmo assim, ele permanece. Para completar o problema, boa parte das residências é coberta de telhas de amianto.

Aliás, as casas com portas e janelas fechadas em dias tão quentes, chamou atenção da equipe de reportagem. Questionados, todos deram a mesma justificativa: “É para tentar diminuir a quantidade de poeira dentro das casas”.

Contaram, também, que em dias chuvosos, o ônibus de transporte coletivo não entra no bairro. Por outro lado, com sol ou chuva, são os buracos que impedem a passagem dos ônibus em algumas ruas.

Queixas semelhantes foram apresentadas pela moradora Inês Siqueira, residente na rua oposta à de Francieli. Ela repetiu que limpa a “casa todos os dias, o tempo todo. Não tem outro jeito”. Inês mora no Padre Giane há 18 anos, em uma das ruas que contornam a Praça. Na última chuva, a água cobriu toda a rua, invadiu o quintal, chegando à sua porta: “Ficamos ilhados dentro de casa e com medo de que a casa fosse invadida pela água, como aconteceu com tanta gente aqui”. Na rua oposta à sua casa, há muito lixo amontoado.
Inês, também, reclamou da poeira que, afeta, principalmente as crianças. Boa parte delas apresenta problemas alérgicos.

Maria Lúcia Barreto mora há 16 anos no bairro. Ela também se queixa da poeira constante, a qual classifica como insuportável. Ela disse, ainda, que a sua casa foi afetada pela construção da quadra de esportes do bairro, chegando a ser condenada pela Defesa Civil. Segundo ela, a Prefeitura doou o material, mas ela precisou providenciar a execução dos reparos.

Maria Lúcia tem três filhos, um adolescente de 16 anos e duas crianças, uma de 4 anos e a outra completará 2 nos próximos dias. As duas crianças sofrem de bronquite e gripe alérgica.

Ela lembrou, também, que pais têm transferido filhos da creche do bairro devido à poeira na creche do Padre Giane. “A creche fica à margem de uma rua muito poeirenta e isso tem prejudicado muito as crianças, por isso, muitas estão sendo transferidas para evitar mais problemas de saúde”, contou.

Ela e José Clécio disseram que os estudantes – dos ensinos fundamental e médio – que precisam sair do Padre Giane, para estudar em outros bairros, são obrigados a fazer o deslocamento até à Escola Stanislaw Zucoloto (no Bairro São Francisco), onde embarcam no ônibus escolar, pois ele não vai até o Padre Giane.

O ônibus escolar
O Correio9 procurou a área de transporte escolar da Prefeitura. Segundo o chefe do setor, Leandro Van Del Rei, a definição dos locais de embarque obedece ao critério de, no mínimo, 2 quilômetros de distância das linhas tronco. De acordo com ele, a localização do Bairro Padre Giane é inferior a esta distância.

No entanto, Leandro disse que, ainda esta semana, vai ao bairro estudar o problema para buscar uma solução.

A pavimentação do bairro
A reportagem procurou, também, respostas sobre a pavimentação do bairro. A chefe do setor de convênios da Prefeitura, Cristina Scardini, esclareceu que tem uma verba de R$ 500 mil, prevista para o calçamento do Padre Giane.

De acordo com ela, trata-se de uma emenda parlamentar, incluída no orçamento federal de 2019, pela deputada federal, Norma Ayub (DEM), a qual enviou um ofício ao prefeito, Mário Sérgio Lubiana, informando-o sobre a emenda.

Ela informou que, normalmente, os convênios começam a ser divulgados a partir do mês de abril. “Estamos aguardando a abertura dos convênios por parte do governo federal. Tão logo isso aconteça, o caminho para a pavimentação do bairro estará aberto”, disse.

Saneamento e rede de esgoto
Em 2017 a vereadora Gleyciaria Bergamim (DEM) apresentou o projeto para o saneamento do bairro. Orçado em R$ 1,7 milhão, o projeto foi desenvolvido pela equipe da Secretaria de Planejamento da Prefeitura e levado ao, então, secretário de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado (Sedurb), Rodney Miranda. O projeto foi entregue pela vereadora e pelo prefeito, Mário Sérgio Lubiana.

Posteriormente, em visita a Nova Venécia, no dia 18 de janeiro de 2018, ao ser entrevistado pelo Correio9, Rodney Miranda disse que o projeto estava em fase de análise técnica e que, assim que fosse concluído, o convênio seria assinado. Desde então, se passaram 13 meses, e os moradores do Padre Giane continuam esperando.

O BAIRRO carece, principalmente, de rede de esgoto e pavimentação nas ruas.

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