Correio9 Entrevista: Líder do Governo Casagrande na Ales, deputado Enivaldo dos Anjos fala sobre trabalho e política

Por Marcos Antonio Burgarelli


Eleito para o seu quinto mandato de deputado estadual, com 24.202 votos obtidos nas eleições de 2018, Enivaldo dos Anjos (PSD) nasceu em 1950, em Barra de São Francisco. É formado em Direito pela Faculdade de Direito de Colatina. Atuou como escrivão, radialista e correspondente de jornais do Estado e de Minas Gerais. Ele também já foi prefeito de Barra de São Francisco (1989-1992). Em setembro de 2000, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES), cargo que ocupou até 2010.

O respeito e a defesa aos direitos do cidadão capixaba, através da luta contra os abusos de poder da Máfia dos Guinchos no Estado; das empresas poluidoras que insistem em causar danos ambientais e de saúde no Espírito Santo; além de sonegadores de impostos estão entre as principais bandeiras do mandato de Enivaldo dos Anjos no Poder Legislativo capixaba.

Além das lutas contra a Máfia dos Guinchos, os sonegadores e empresas poluidoras, o deputado trabalha sempre em prol do desenvolvimento de municípios do interior de todo o Estado e, em principal, da região Noroeste do Espírito Santo.

À nossa reportagem, ele revela projetos e ações que ainda pretende realizar na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Confira a entrevista abaixo:

DEPUTADO estadual Enivaldo dos Anjos (PSD).

Como será o seu posicionamento e sua participação no Governo Casagrande, considerando a escolha dele, em ser o senhor, seu líder na Assembleia Legislativa?

“Quando conversamos sobre a possibilidade de assumir o cargo, o governador abordou a necessidade de contar com o meu trabalho na liderança, ponderou a necessidade de fazer um trabalho de acordo com a Mesa Diretora, com as forças da Assembleia e resolvi aceitar. Na política, toda função que você exerce, você se coloca na posição de soldado. Foi o que disse na época e mantenho a postura. Sou um soldado da boa política dentro da Assembleia Legislativa. Eu fui convocado, achei a função necessária e decidi aceitar”.

“Águia” é como alguns jornais do estado – ao comentarem sobre sua experiência na política e boa articulação – o chamaram. Numa Assembleia com outros 29 deputados, como essa articulação e diálogo tem se mostrado? Está tranquilo sobrevoar o território e cumprir o papel de mediar as demandas do governo em prol dos capixabas?

“Hoje estou mais para um sentinela: sempre atento aos movimentos e pronto para atuar na defesa da democracia. Da águia eu prefiro ter a visão apurada, mas tenho que ficar ao lado dos meus colegas e não voar acima deles. É a melhor maneira de saber quais as demandas e necessidades de cada parlamentar com relação ao governo e como isso interfere no dia a dia da Assembleia. A nova configuração da Casa é muito diversificada e isso traz boas possibilidades para o crescimento do Espírito Santo como um todo. É preciso manter a mente sempre aberta para ouvir a todos com respeito e discernimento, aproveitando sempre o melhor de cada um”.

Para quem acompanha o seu trabalho na Assembleia Legislativa, temas polêmicos como o pó preto na Capital e a Máfia dos Guinchos foram levantados, debatidos e levados à CPI’s onde o senhor sempre buscou estar à frente. Recentemente foi noticiada a volta da CPI dos Guinchos. O que essa comissão ainda não alcançou e pretende agora alcançar?

“Infelizmente, organizações criminosas como a Máfia dos Guinchos não costumam simplesmente sumir do mapa e sempre buscam uma brecha para voltar a explorar o cidadão que já anda tão calejado. No fim de 2018 e início deste ano voltamos a receber denúncias de remoções irregulares na Grande Vitória e interior, o que nos fez ficar novamente atentos com a possibilidade de retorno do problema.

Além disso, existem outras linhas de investigação previstas nas prerrogativas da CPI, que também pretende atuar contra a instalação indiscriminada de radares de velocidade nas rodovias. O caso de mau uso de radares é tão claro que chamou a atenção, inclusive, do presidente da República. Recentemente ele baixou um decreto proibindo a prática, mas é claro que existe uma indústria de multas por trás desses pardais que não vai aceitar isso fácil. Estaremos aqui para evitar novos abusos como o dos parquímetros em vias municipais e qualquer outra maneira de extorquir o cidadão”.

Quais projetos e ideias, com sua larga experiência na vida pública, está pensando em levantar nesse mandato, quando temos um novo contexto político, em nível de estado e país?

“Vamos seguir a linha de respeito às nossas bandeiras e apresentar projetos novos sempre que necessário. Trabalho sempre a partir das necessidades que são apresentadas pela população. Recentemente apresentei projetos de adequação para a venda de embalagens de cimento com diferentes tamanhos, por exemplo: uma medida aparentemente simples, mas que visa diminuir em muito os problemas de saúde vividos por profissionais da construção civil. Também apresentamos uma proposta para garantir a gratuidade em viagens intermunicipais de idosos e crianças nos ônibus do Estado, garantindo o acesso à cidadania e ao direito de ir e vir dessas pessoas. Muitas vezes, um idoso não tem um recurso mínimo para fazer uma viagem de necessidade e isso acaba por se tornar um problema para a família”.

O servidor público é umas das pautas que o senhor defende. Nessa área há algum projeto?

“Também no caso dos servidores públicos é preciso estar atento às demandas apresentadas e como elas podem ser atendidas. Recentemente foi apresentado um projeto para instituir o pagamento por periculosidade a agentes públicos de segurança. A ideia defendida pelo mandato é de que cada agente precisa receber o devido reconhecimento do Estado pela sua atuação, garantindo a boa prática no exercício de suas funções. É de extrema importância que um policial, um bombeiro, um agente penitenciário recebam de maneira honrosa as devidas gratificações por colocar a vida em risco todos os dias pelo bem comum. Esta é mais uma das bandeiras que pretendo defender ao longo do mandato e estamos trabalhando de maneira firme por ela”.

Em nível regional, seu município e outros ao entorno podem esperar da parte do deputado projetos para viabilização e melhorias em que áreas?

“Barra de São Francisco e todo o Noroeste capixaba podem ficar despreocupados quanto à continuidade na vinda de recursos por parte do Estado. Todos os projetos de construção de barragens para captação de águas da chuva, por exemplo, implantação de torres de telefonia, recursos para o calçamento de vias e envio de maquinário estão garantidos pelo pacto governamental. É a palavra do governador e, sobretudo, o interesse no crescimento do Estado.

Existem também as possibilidades de novas empresas se instalarem na região, levando emprego e renda para os municípios. Para isso é preciso criar estímulos aos empresários, sem ferir os direitos de quem trabalha, por meio de incentivos e infraestrutura. Temos trabalhado ao lado do Governo do Estado para viabilizar mais conquistas para o povo do Noroeste capixaba”.

O senhor esteve no mandato anterior como deputado e, novamente, agora. São duas formas de gestão no Executivo. O que seria semelhante e, o que seria melhor em relação a esses estilos de governo, para o bem do estado? Vivemos um momento melhor e com mais diálogo, agora, na sua opinião?

“Nunca me senti amarrado em minha vida em nada. A grande importância do governador Casagrande é o espírito democrático que ele usa nas ações políticas dele. Então, ser líder de um governo com esse sentimento é fácil, porque dialogar é necessário. Entretanto, a meu ver, é um cargo que precisa ter um caráter de renovação e por isso mesmo propus que fosse colocado sob consulta a cada seis meses. Ser líder de governo não me isenta de apresentar críticas quando necessário, assim como no governo passado, apesar do meu apoio ao trabalho feito no Palácio Anchieta.

Cada governador à sua maneira representa a vontade do povo no momento em que o elege. Isso é sagrado e não deve ser questionado. Em vez disso, é necessário cobrar a boa prática do poder público pelos governantes. Isso faz parte da função legislativa e nunca me senti impedido de fazê-lo em nenhum governo”.

 

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