A pergunta que não quer calar

FLÁVIO AUGUSTO DA SILVA

Se as pessoas “estudam” inglês desde o primeiro ano do ensino fundamental até o último ano do ensino médio, ou seja, por 11 anos, por que apenas 3% da população brasileira falam inglês?

 
PORQUE O ESTADO É INEFICIENTE.
Segundo diferentes pesquisas, quem fala inglês tem acesso a salários entre 51% e 62% maiores do que quem não fala. Há carreiras, por exemplo, que falar inglês tem um peso maior que uma pós-graduação. Em alguns casos, pela falta de profissionais que falam inglês num determinado segmento, a empresa opta por contratar pessoas que dominam o idioma, mas que não são exatamente da área em questão, pois chegaram a conclusão que é melhor treiná-los para a nova função do que tentar achar profissionais com experiência nessa área que não sejam fluentes em inglês…

 
Pela ineficiência do estado na saúde, surgiram os planos de saúde privados; pela incompetência do estado na segurança pública, surgiram as empresas de segurança; pela incompetência do estado na educação, as escolas privadas prosperam cada vez mais.
Imagine! As pessoas preferem PAGAR caro numa empresa privada a usarem o serviço “GRATUITO” oferecido pelo estado. É o cúmulo da desmoralização com a qual já nos acostumamos.

 
E POR QUE EXISTEM OS CURSOS DE INGLÊS?
Porque o MEC não foi capaz de criar um programa que funcionasse para ser implantado nas escolas públicas e privadas.

 
Até mesmo nas escolas privadas mais caras, os alunos não aprendem inglês, porque elas também estão sujeitas à cartilha do MEC, seu programa e as exigências curriculares dos professores de inglês – letras – como vou apresentar a seguir.

 
O QUE SERIA ESTE PROGRAMA?
Um programa não envolve apenas o livro adotado. Envolve a filosofia, a abordagem, o foco do programa, o perfil dos professores, treinamento constante e as habilidades que os mesmos precisam ter para tornar a experiência em sala de aula produtiva.
Agora, sente-se para não cair da cadeira.

 
A maioria esmagadora dos professores de inglês das escolas públicas e privadas no Brasil não sabem falar inglês, não dominam o idioma, ou seja, não tem fluência na língua. Isso ocorre, porque, a exigência para alguém se tornar um professor de inglês de rede pública ou privada é simplesmente ter o diploma de Letras. Porém, para se formar em Letras, basta fazer uma faculdade de 4 anos, onde além dos conteúdos relacionados à gramática da língua inglesa, o aluno de Letras estuda sobre abordagens pedagógicas, a maioria delas bastante obsoletas e fora da realidade do mercado de trabalho e suas necessidades que mudam todos os dias.

 
Ao se formarem em Letras, a maioria esmagadora desses formandos não tem fluência na língua. Portanto, como alguém que não tem fluência poderá ensinar crianças e adolescentes, mesmo depois de 11 anos com as nádegas na cadeira de uma sala de aula, repetindo o verbo “to be”e o “the book is on the table”, a falarem inglês? É uma absoluta perda de tempo e dinheiro.

 
O sistema é patético, uma vergonha e um atestado de incompetência do estado, pra variar.
Com isso, aproveitando essa oportunidade, surgem os cursos de inglês para darem uma resposta a esta deficiência. Ainda assim, mesmo no meio dos cursos de inglês, ainda será possível notar a diferença no investimento que cada instituição faz em pesquisas e desenvolvimento, no investimento em novas abordagens metodológicas e em novas tecnologias. A maioria dos cursos de inglês também vai se esbarrar nesta limitação, enquanto alguns nadam de braçada num oceano azul por investirem pesado em P&D (pesquisa e desenvolvimento).

 
Vou parar por aqui, porque o meu objetivo com este texto não é fazer um jabá de uma de minhas empresas que vou preferir nem citar o nome.

 
Pra finalizar, deixo um conselho:
Estude onde quiser, mas aprenda a falar inglês.
Preste atenção. Não disse pra você estudar inglês. Disse pra você APRENDER inglês.
Falar inglês vai impactar sua vida de uma forma incrível.

* O autor é empresário, escritor, palestrante e responsável pelo canal “Geração de Valor”

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