A menina Thayná, animalidade e humanidade

A história da menina Thayná Andressa de Jesus, de 12 anos, sequestrada no Bairro Universal, em Viana, como tantas outras que narramos e, outras, que ouvimos em narrativas, mostram um lado perverso do “bicho homem”.

 

O “Homem” é uma espécie recente na história da vida natural da Terra. Ele é dotado de racionalidade, tem consciência de si e se constrange com as opiniões alheias. Ele possui o dom da linguagem e a utiliza para descrever, argumentar, especular e enganar. Se inquieta com as questões de verdade e mentira.

 

A existência humana exige duas qualidades essenciais que são a razão e a consciência, sendo que a primeira baseia-se na observação das coisas e a segunda em um processo introspectivo.

 

Mas, fatos como o caso da menina Thayná, nos informam que homem não é tão humano assim, que ele possui animalidade. Como conhecer o que é ou não o ser humano? O que é humanidade?

 

Para nós os conceitos de “homem” e de “humano” parecem sinônimos, mas não é bem assim. Será que todo homem é humano? Para Aristóteles, não.

 

Mesmo não fornecendo um significado do que pode ser o homem, Aristóteles nos fornece um método lógico para tentar compreendê-lo. A lógica aristotélica indica que para compreender é preciso, classificar e categorizar as coisas, segundo as suas características, semelhanças e diferenças. Assim, ao se perguntar, o que é o homem? Ele responde: é um ser vivo. Mas, mesmo, os seres vivos possuem diferenças entre si, e quanto maior o número de elementos, maiores serão as diferenças. Desse modo é necessário separar as espécies vivas em grupos. Daí surge que entre os seres vivos existem aqueles que se movem, e, outros não.

 

Para a construção do conceito de homem, os animais ocupam uma posição central, pois a nossa concepção de animalidade explica a deficiência de tudo o que supostamente o homem tem de diferente dos demais animais, como a razão, a linguagem, o intelecto e a consciência moral; entretanto somos lembrados, constantemente, que o homem é um animal, e fazendo esta comparação podemos nos compreender melhor.

 

O filósofo e economista Adam Smith talvez não agradasse à sociedade politicamente correta do século XXI. Isso porque ele foi capaz de entender e até relacionar o desejo egoísta dos homens com a acumulação de riquezas de um país. A ideia está presente em seu primeiro livro, batizado de “Teoria dos Sentimentos Morais”, publicado em Londres em 1759.

 

Mais do que um homem que pensava a economia, Adam Smith era um grande filósofo que acreditava na sabedoria e na virtude, mas estava ciente de que a humanidade estava bem longe de alcançá-las. E, ao desvendar o desejo dos homens, ele pôde entender como os países construíam sua riqueza. O livro “A Riqueza das Nações”, lançado em 1776, é até hoje um clássico da literatura econômica. No entanto, a maioria dos economistas conhece “Teoria dos Sentimentos morais”.

 

“Segundo Smith, a riqueza é desejada pela “rande multidão humana” e isso é moralmente tolerável, apesar de não ser o desejável. Desejável era ser uma pessoa melhor. A “Teoria dos Sentimentos Morais” é um livro sobre ética. O autor consegue juntar dois temas aparentemente distantes – moral e economia – e o faz de forma brilhante”.

 

Ele trata o homem como um animal movido pelo autointeresse. Com isso, o egoísmo assume um papel fundamental na análise do comportamento humano. Como reconhecer o que é ou não um ser humano? O que define ou não o que é um ser humano? Será a sua aparência, seu porte físico, sua cor, deficiências ou partes a mais em um corpo?

 

Não devemos nos deixar levar pelas concepções estreitas e simplistas do tipo de coisa que é um ser humano, pois o gênero humano não é fixo e imutável, ao contrário, ele é variável tanto em termos históricos quanto geográficos; sendo esta variabilidade o traço distintivo da espécie animal, pois os seres humanos não possuem a mesma aparência, tamanho, formato, cor em todos os lugares. A biologia relata que o indivíduo possui um alto grau de variabilidade, sendo a singularidade do indivíduo que o distingue dos organismos vivos e dos inanimados, porque todo o cristal é uma réplica e todo o organismo vivo é uma inovação.

 

Para Aristóteles, nenhum homem nasce humano. Segundo ele, ao nascer, o homem não passa de um animal. É a partir do nascimento que ele vai aprendendo com outros humanos e assim, vai se humanizando. A visão filosófica do que é ou não o ser humano traz um significado alternativo de ser humano, oposta à abordagem de animal. A palavra humanidade passa a ter uma conotação de estado ou condição humana do ser, oposta a condição de animalidade. A animalidade aqui consiste na noção de qualidade de vida no estado de natureza, onde o homem primitivo era conduzido pelas suas paixões brutas, livres de constrangimentos morais e da regulação dos costumes, pois os primeiros humanos são movidos pelos instintos vivendo então em um estado de animalidade.
Animalidade que está presente na atualidade em crimes como tantos que vemos, em que a crueldade do homem se revela de forma aterradora.

 

Mas o mesmo Aristóteles, que define o homem de forma tão clara, nos diz que nem todos os homens saem do estado animal para o estado humano. Muitos permanecem na animalidade.

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